Ontem, o mercado de ouro passou por uma correção temporária após um longo período de forte valorização e sucessivos recordes de preço. No entanto, hoje o metal precioso voltou a mostrar sinais de recuperação. Essa queda pontual não enfraqueceu os fundamentos que continuam sustentando o interesse pelo ouro como ativo de proteção.

Hoje, a retomada da demanda compradora parece estar ligada às aquisições contínuas realizadas pelo Banco Popular da China. Essas compras do banco central chinês, voltadas para o aumento das reservas de ouro, são tradicionalmente interpretadas pelo mercado como um sinal de maior participação do chamado *smart money*.
Apesar das oscilações de curto prazo, a tendência de fortalecimento do dólar e as expectativas de juros mais altos nos Estados Unidos — fatores que anteriormente pressionavam o ouro — começam a perder relevância diante de outros elementos mais importantes. Entre eles, destacam-se a redução dos riscos geopolíticos e as expectativas de um possível acordo de paz entre o Irã e os Estados Unidos.
Atualmente, o ouro se aproxima da região de US$ 4.720 por onça, mantendo uma perspectiva positiva no curto prazo.
Vale destacar que o metal acumula queda de cerca de 11% desde o início do conflito, já que o quase fechamento total do Estreito de Ormuz e o choque subsequente nos preços da energia aumentaram os temores de inflação elevada, cenário que poderia levar à manutenção de juros altos por mais tempo. Taxas mais elevadas e um dólar fortalecido tendem a pressionar negativamente o ouro, uma vez que o metal não oferece rendimento e é cotado em dólares.
Hoje, os traders acompanham atentamente os dados de emprego dos Estados Unidos, previstos para a segunda metade do dia. Os números poderão fornecer pistas importantes sobre a trajetória dos juros no curto prazo. Recentemente, alguns membros do Federal Reserve minimizaram a possibilidade de retomada do afrouxamento monetário, contrariando parte das expectativas criadas após a reunião de política monetária da semana passada. Caso os dados do mercado de trabalho americano venham fortes, a pressão sobre o ouro poderá voltar a aumentar.

Em relação ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam superar a resistência mais próxima em US$ 4.771. Isso abrirá caminho para buscar o nível de US$ 4.835, acima do qual o rompimento tende a ser bastante desafiador. O alvo mais distante está localizado na região de US$ 4.893.
No caso de queda nos preços do ouro, os vendedores tentarão assumir o controle da faixa de US$ 4.708. Se isso acontecer, o rompimento dessa região poderá representar um golpe significativo para as posições compradoras, pressionando o ouro até a mínima de US$ 4.656, com potencial de extensão da queda até US$ 4.607.
